Reforma Administrativa: Iridan, “Pede para Sair” O “Xeque-Mate” de Devaldo Soares. No CAB, o Canto da Sereia do Governo do Estado

A política de Simões Filho, importante município da Região Metropolitana de Salvador, atravessa um momento que transita entre o teatro do absurdo e o realismo frio do poder. Três meses após a posse de Devaldo Soares (Del), a cidade não vive uma continuidade, mas uma ocupação técnica silenciosa. O que se vê é um prefeito que, embora tenha herdado a cadeira, ainda encontra os fantasmas da gestão anterior sentados nas principais secretarias do primeiro escalão.

O Cordão Umbilical Tensionado

É público e notório, no governo “Uma Aliança pela Nossa Gente”  as pastas da Fazenda, Educação, Seinfra e Saúde, Supertrans, Semob, Semop funcionam como enclaves do ex-prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha. Trata-se de uma situação pitoresca e perigosa. Del Soares, em uma manobra de sobrevivência que mistura astúcia e desconfiança, respondeu criando um “governo paralelo” através das novas secretarias de Habitação e Planejamento. Ao esvaziar as funções da vice-prefeita Simone Costa, Del não apenas isolou uma aliada de Dinha; ele enviou um recado claro de que o tempo do “governo por procuração” estaria com os dias contados.

Assim, Simões Filho, cidade estratégica da Região Metropolitana de Salvador, vive um fenômeno que desafia a lógica tradicional das sucessões. Três meses após a posse de Devaldo Soares (Del), o cenário na Praça Sete de Novembro, dava indícios de que a propagada, prometida continuidade já não era plena, os sinais de ruptura já estava inserido nos diálogos políticos, nos corredores da sede do executivo, uma transição “pitoresca” na política local — para dizer o mínimo. O que se observa-se, até o presente momento,  é um governo bifronte, onde a caneta está na mão de um, prefeito Devaldo Soares, enquanto o capital e poder político indica pertencer a outro, Diógenes Tolentino, ex-prefeito Dinha…

O racha, suposto, até o momento é analisado mais um boato dos  bastidores, no lugar de ser um fato administrativo-político. Quando o “Líder Zero Hum”, ex-prefeito Dinha,  passou a ter suas solicitações ignoradas pela burocracia que ele mesmo montou, o encanto se quebra. O comando do Executivo está, aparentemente, rachado entre o “Delismo” ascendente e o “Dinismo” resistente.

O Governo das Duas Cabeças
Desde janeiro, o “tabuleiro” montado por Del Soares revela um desenho de forças curioso. De um lado, o primeiro escalão (Fazenda, Educação, Seinfra e Saúde) permanece sob o controle e a influência direta do ex-prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha. Do outro, o atual prefeito move suas peças para criar um cinturão de proteção e autonomia: as novas secretarias de Habitação, Planejamento e Contratos surgem como um governo paralelo, sob a batuta direta de Del, esvaziando inclusive as funções da vice-prefeita Simone Costa, umbilicalmente ligada ao grupo de Dinha.
Reforma ou Racha? O Modus Operandi
O desgaste, que muitos previam apenas para o segundo ano, deu as caras antes do final do primeiro ano de governo. O “eterno líder Zero Hum” percebeu que as suas solicitações, levadas ao prefeito Devaldo Soares, passou a bater na porta de uma burocracia que ele, Dinha, ajudou a criar, mas que agora responde a um novo comando.
A grande questão que paira no ar é: como o prefeito, Del pretende realizar a necessária reforma administrativa sem assinar o atestado de óbito da aliança?
A resposta reside em uma estratégia sutil, uma espécie de “xeque-mate de veludo”. Não haverá o barulho das exonerações sumárias, mas sim o silêncio dos “pedidos voluntários de exonerações“.
A saída, alardeada na mídia, e ainda não confirmada, oficialmente, da secretária de saúde, Iridan Brasileiro, deverá ser  anunciada, até a próxima sexta, 9, o pedido de exoneração, dizem, já foi entregue e aceito pelo prefeito Devaldo Soares, e a ação estratégica como a peça sacrificial necessária para abrir o caminho. É a “cartada de mestre” para limpar a casa/Secretaria de Saúde sem “sujar as mãos”. Simbolicamente, caso aconteça de fato a exoneração pode ser o indicativo de que o grupo “Boa Terra Boa Gente” poderá começar a abandonar a “Arca da Aliança” da sua própria embarcação.
O Horizonte de 2026: O grupo, terá palanques distintos…?
A verdadeira prova de fogo, contudo, não está nas secretarias, mas no horizonte eleitoral Eleições-2026. O grupo marchará unido para reeleger a ex-primeira dama deputada Kátia Oliveira, esposa de Dinha? Ou o movimento de Del Soares em direção ao “centro” e ao governo estadual sinalizará um apoio surpreendente a Jerônimo Rodrigues?
Se as mudanças no primeiro escalão se confirmarem com o mesmo modus operandi de Iridan Brasilerio, o “racha” será o segredo mais mal guardado da Bahia. Por enquanto, as peças estão sendo movidas com luvas de pelica. Mas, no xadrez de Simões Filho, o silêncio costuma ser o prelúdio de um anúncio que mudará os rumos da política em Simões Filho.

A Estratégia do “Desembarque Elegante”

O prefeito, Del,  e seus estrategistas parecem ter compreendido que uma ruptura traumática agora seria munição para a oposição. Por isso, adotaram um modus operandi cirúrgico: a reforma administrativa não virá por canetadas de exoneração, mas por “pedidos voluntários de demissão”.

A Sedução do Centro Administrativo: O Fator Jerônimo

Mas o fator, a força, que  realmente poderá mover essas peças no tabuleiro não é apenas o controle das secretarias locais, e sim,  a sedução magnética que vem do Centro Administrativo da Bahia (CAB). O prefeito Del Soares sabe que, para consolidar sua autonomia e garantir investimentos vultosos, o caminho mais curto — e mais lucrativo — passa pela base do governador Jerônimo Rodrigues.

 

O “canto da sereia” do governo estadual é poderoso. Para Del, migrar rumo a base governista representa o acesso direto a recursos que o grupo de ACM Neto e Paulo Azi hoje não pode oferecer. A grande incógnita de 2026 começa a ser desenhada agora: será que Del sacrificará a unidade do grupo e a  reeleição de Kátia Oliveira seduzido pelo  altar do pragmatismo político para marchar com o PT e partidos aliados da base governista…?

A reforma administrativa que se avizinha é, na verdade, um teste de fidelidade. Se o novo secretariado tiver a digital do governo estadual, o rompimento com o “Zero Hum” deixará de ser uma suspeita para se tornar uma declaração de independência.

 

Repensar Simões Filho é entender que, no xadrez do poder, a gratidão política tem prazo de validade, e o pragmático Del Soares parece pronto para cobrar a fatura.

 

 

Autor, Romário  dos Santos 

Jornalista e Editor Chefe Redação Nacional

 

Em Tempo: A Equipe de Jornalismo, tentou contato com Segov, Pref. Devaldo Soares, Presidência da Câmara, Todos negaram-se a confirmar a substituição da Secretária. As informações circulam, nos bastidores, como fato consumado…

 

 

Fotos:  Jerônimo Rodrigues (PT)  • Marcelo Camargo /Agência Brasil –  Prefeito Devaldo Soares – Redação Nacional

 

 

 

 

 

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