Simões Filho: Guerra Entre Aliados, Queda de Braço jurídico e a conveniência política por trás da Liminar sobre eleição da Mesa Diretora

A cidade de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), continua refém de uma saga política interminável, onde as leis e as instituições parecem moldadas ao sabor dos interesses de ocasião. A polêmica da vez envolve uma feroz batalha pelo comando do Poder Legislativo para o biênio 2027/2028.
Publicado por Redação Nacional
A atual Mesa Diretora, sob a presidência do vereador Itu’s Ramos, havia pautado e aprovado em plenário a antecipação do pleito para o dia 16 de junho. No entanto, ao farejar uma iminente derrota nas urnas da Casa, o bloco governista correu aos tribunais: a Justiça da Bahia concedeu uma liminar suspendendo a eleição, atendendo a um Mandado de Segurança movido pelos vereadores Berlindo Gazineu, Belo,  o candidato oficial da administração “Uma Aliança pela Nossa Gente e Adeilson de Jesus Santos, o “Del Capoeira”.
Sob o número de processo 8002716-64.2026.8.05.0250, os autores utilizam como escudo o argumento técnico de que a antecipação viola a Lei Orgânica do Município — a qual prevê que a escolha ocorra apenas em 1º de novembro do segundo ano da legislatura. Todavia, nos bastidores locais, o que se vê não é o zelo pelo ordenamento jurídico, mas sim o uso estratégico do Judiciário como tábua de salvação para conter a força política de um aliado que se rebelou.
Da Blindagem ao Descarte: A Traição a Itu’s Ramos…?
A fragilidade das justificativas puristas dos autores da ação fica evidente quando confrontada com o histórico da Casa  Legislativa. O alvo da investida judicial é o mesmo Itu’s Ramos que, desde o seu primeiro biênio, operou como o pilar de sustentação e o escudo mais intransigente da gestão “Uma Aliança pela Nossa Gente”. Ramos acumulou credenciais robustas de lealdade ao prefeito Devaldo Soares nos momentos de maior desgaste:
    • Escudo na Saúde: Blindou de forma agressiva a ex-secretária de Saúde, Iridan Brasileiro, na traumática queda de braço institucional contra a FABAMED.
    • Contenção de Danos: Manteve o controle democrático e a governabilidade da Casa quando a oposição tentou encurralar o governo, especialmente após o racha e o rompimento do vereador Genivaldo Lima.
    • Válvula de Escape Social: Abriu as portas do Legislativo para acalmar os ânimos e ouvir as demandas de Agentes de Saúde, Profissionais da Educação e Mães Atípicas, organizando ainda eventos estratégicos como o da Saúde do Homem.
    • Mediação no Caso “Jovens Vereadores”: Atuou como bombeiro na crise gerada pelo próprio Executivo devido às divergências nos pagamentos da BOLSA JOVEM VEREADOR, garantindo o direito de manifestação enquanto preservava a imagem do prefeito.

Apesar de ter sido o fiador da paz política do governo, Ramos provou do veneno do pragmatismo local: perdeu o apoio de Devaldo Soares e do ex-“Zero Um” do município, Dinha. Quando a lealdade cega deixou de servir aos planos de sucessão do Executivo, o presidente da Câmara foi sumariamente descartado.
Memória Seletiva: O Histórico de Antecipações Ignoradas
O súbito apego dos vereadores governistas, Belo e Del Capoeira,  à literalidade da Lei Orgânica do Município insulta a inteligência do cidadão de Simões Filho. O uso de manobras para antecipar eleições da Mesa Diretora não é uma novidade na Casa e, em passado recente, o mesmo grupo político que hoje grita por “legalidade” silenciou ou aplaudiu ritos semelhantes quando eles atendiam aos interesses do Executivo. Antecipação que garantiu a eleição do Vereador Orlando de Amadeu…
A história recente da Câmara mostra que, enquanto o candidato da vez era o escolhido pelo antigo “Zero Um“, as votações antecipadas eram tratadas como legítimas articulações políticas e “sinal de estabilidade institucional”. A Lei Orgânica só virou um dogma sagrado e inviolável no exato momento em que as urnas do plenário ameaçaram consagrar a vitória de um nome fora do controle direto do prefeito Devaldo Soares. Trata-se de um moralismo de conveniência jurídica.
O Tabuleiro de Outubro: O Impacto do Racha nas Eleições Majoritárias
A intervenção judicial que congelou a eleição da Mesa Diretora é, na verdade, o sintoma visível de uma fratura profunda que ameaça implodir a base governista nas eleições majoritárias de outubro. Ao desidratar e tentarem  isolar Itu’s Ramos, o prefeito Devaldo Soares e seus aliados assumem o risco de criar um novo polo de dissidência dentro do município.
As consequências práticas desse racha para a disputa majoritária são severas:
    • Perda de Articulação: O governo perde seu principal trator político no Legislativo, dificultando a aprovação de pacotes de bondades e projetos de interesse da gestão em pleno ano eleitoral.
    • Fragmentação da Base: Vereadores e lideranças partidárias que orbitavam em torno da presidência da Câmara agora se veem forçados a escolher um lado, alimentando a desconfiança interna e enfraquecendo o palanque do candidato oficial do governo, Belo Gazineu.
    • Fortalecimento da Oposição: O racha empurra antigos aliados para o campo da neutralidade ou para os braços da oposição, que ganha munição discursiva para apontar o autoritarismo e a instabilidade do grupo que comanda a cidade.

O Futuro Congelado
A pergunta que ecoa na RMS é: até quando a política de Simões Filho viverá sob o manto das liminares e da conveniência de seus governantes? Ao unirem forças — Prefeito, vereadores da base e o aparato judicial —, o grupo governista interrompeu o processo sob o pretexto de “garantir a independência dos poderes”, um argumento que beira a hipocrisia, dado que a ação representa a interferência direta do Executivo nos rumos da Câmara Municipal.
O impasse está fixado. O comando da Casa do Povo segue congelado, restando aguardar se a paralisia se estenderá até as eleições ou se o corpo jurídico da Mesa Diretora conseguirá derrubar os efeitos da decisão judicial contida no Processo Nº 8002716-64.2026.8.05.0250.

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