Nego Di é condenado a mais de 14 anos de prisão por rifas fraudulentas e lavagem de dinheiro

O influenciador digital e ex-BBB Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso. A decisão é da Justiça do Rio Grande do Sul e foi proferida na terça-feira, 23 de junho de 2026. A esposa dele, Gabriela Vicente de Sousa, também foi condenada a 8 anos e 4 meses de reclusão por lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Nego Di promoveu ao menos 34 rifas eletrônicas sem autorização legal entre novembro de 2022 e maio de 2024. As promoções eram divulgadas em redes sociais e prometiam prêmios em dinheiro e bens de luxo mediante a compra de bilhetes. Um dos casos mais emblemáticos foi o sorteio de um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil, que nunca foi entregue — o ganhador era fictício e o resultado, manipulado.

O esquema causou um prejuízo estimado em R$ 185,3 mil a pelo menos 9.683 pessoas. Os valores arrecadados, superiores a R$ 2,5 milhões, foram ocultados por meio de contas de terceiros, operações financeiras e aquisição de bens para dar aparência de legalidade — caracterizando o crime de lavagem de dinheiro. A investigação também revelou que o influenciador adulterou um comprovante bancário para simular uma doação de R$ 1 milhão às vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul, quando na verdade havia transferido apenas R$ 100.

Na sentença, o juiz Ricardo Petry Andrade destacou que a atuação de Nego Di não foi pontual, mas sim estruturada e com grande alcance. “Um indivíduo que faz da sua imagem e da sua presença digital sua principal fonte de renda, movimentando milhões de reais, tem o dever de se informar sobre a legalidade de suas atividades comerciais”, escreveu o magistrado. A defesa do influenciador ainda não se manifestou sobre a condenação.

Esta é a segunda condenação de Nego Di em menos de um ano. Em junho de 2025, ele já havia sido sentenciado a 11 anos e 8 meses de prisão por estelionato em outro processo, relacionado à loja virtual Tadizuera, que anunciava produtos com preços muito abaixo do mercado, mas nunca entregava as mercadorias. Na ocasião, as vítimas tiveram prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões. Nego Di aguardava o julgamento desse caso em liberdade provisória.

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