Crise no clã Bolsonaro: Michelle renuncia ao PL Mulher e silêncio de Flávio aprofunda racha na direita

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (30) sua saída da presidência do PL Mulher, setorial feminina do Partido Liberal. A decisão foi comunicada pessoalmente ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, após uma reunião na sede do partido em Brasília. Em nota divulgada nas redes sociais, Michelle afirmou que deixará o cargo para se dedicar integralmente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha do casal, Laura. A saída ocorre em meio a uma crise aberta com o enteado, o senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro, que há uma semana protagoniza um racha público exposto em vídeos gravados pela ex-primeira-dama.

A origem do racha remonta a divergências sobre os rumos da legenda no Ceará, onde Flávio e aliados articulavam uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes, enquanto Michelle defendia o nome de Priscila Costa, vice-presidente do PL Mulher, para a disputa ao Senado. Em um vídeo de 27 minutos divulgado no dia 24 de junho, Michelle afirmou ter sido humilhada e desrespeitada por Flávio em uma ligação telefônica. Ela também denunciou ataques coordenados por um grupo que atua do exterior e que, segundo ela, tenta retirar o sobrenome Bolsonaro de seu nome nas redes sociais, em uma estratégia para isolá-la do projeto político da família.

Passada uma semana da exposição pública da briga, o principal fator que dificulta a pacificação é o silêncio de Flávio Bolsonaro em relação aos ataques que a madrasta e aliadas como a senadora Damares Alves continuam sofrendo nas redes. Integrantes do entorno de Michelle afirmam que o pré-candidato não veio a público repudiar as ofensas disparadas pelo próprio irmão, Eduardo Bolsonaro, e por aliados como Paulo Figueiredo, que chamou Michelle e Damares de feministas e disse que mulheres votam mal. Enquanto Flávio não recriminar publicamente esse fogo amigo, avaliam aliados da ex-primeira-dama, qualquer trégua será superficial.

A crise expõe as fissuras no clã Bolsonaro em um momento delicado da pré-campanha de Flávio, que enfrenta rejeição elevada entre o eleitorado feminino e ainda lida com os desdobramentos das investigações do caso Banco Master. Valdemar Costa Neto tenta atuar como bombeiro e já declarou que perder Michelle seria um problema grave para a candidatura do senador. Nos bastidores, aliados da ex-primeira-dama afirmam que ela está desanimada e que a pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal pode estar ameaçada. A guerra, pelo visto, está longe de terminar.

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