Autor de chacina em cinema de SP frequenta shopping em Salvador e deixa vendedores com medo

O ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo massacre que matou três pessoas e feriu outras nove em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, tem sido visto com frequência no Shopping Barra, em Salvador. Em liberdade desde 2024 por decisão da Justiça da Bahia, ele circula por cafés, livrarias e até pelas salas de cinema do centro comercial, gerando medo entre frequentadores e funcionários do local.

O ataque ocorreu em 3 de novembro de 1999, durante a exibição do filme “Clube da Luta”. Mateus entrou armado com uma submetralhadora MAC-11 e disparou contra os espectadores, matando três pessoas e ferindo outras quatro. Condenado inicialmente a 120 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de São Paulo em 2004, a pena foi reduzida para 48 anos em 2007. Em 2011, após tentar matar um companheiro de cela com uma tesoura, a Justiça da Bahia o considerou inimputável por sofrer de esquizofrenia e o transferiu para um hospital de custódia.

A Justiça baiana autorizou a desinternação de Mateus em setembro de 2024, com a condição de que ele morasse com os pais e mantivesse o tratamento psiquiátrico. No entanto, segundo apuração da coluna de Ulisses Campbell, do jornal O Globo, ele vive sozinho em uma quitinete em Salvador, descumprindo a determinação judicial. Os próprios pais de Mateus, o médico oftalmologista Deolindo Vanderlei Meira, de 87 anos, e a enfermeira Alina da Costa Meira, de 84, prestaram depoimento à Justiça relatando que ele os agredia fisicamente, tendo quebrado três costelas do pai durante uma briga.

O episódio reacende o debate sobre os limites da inimputabilidade penal no Brasil e os critérios de desinternação de pessoas que cometeram crimes violentos. O advogado criminalista Vivaldo Adaes, que representou Mateus após a soltura, encerrou o mandato por medo: “Eu tenho medo de que ele apareça armado aqui no meu escritório. Aliás, todo mundo tem esse medo.” O caso expõe as fragilidades no acompanhamento de pacientes considerados inimputáveis e a sensação de insegurança que atinge comerciantes e frequentadores do Shopping Barra, em Salvador.

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