Governo fica sem verba para R$ 105,5 bilhões em despesas; Saúde e Educação são as mais afetadas
O governo federal do Brasil ficou sem verba para pagar R$ 105,5 bilhões em despesas neste ano, segundo nota técnica da Consultoria de Orçamentos do Senado. Os ministérios da Saúde e da Educação são os mais afetados, tanto pelos gastos programados para 2026 quanto pelas faturas herdadas de anos anteriores, os chamados restos a pagar. A restrição equivale a 31,9% do total de despesas não obrigatórias previstas para o exercício e inclui o impacto do bloqueio orçamentário decretado na semana passada para cumprir o arcabouço fiscal.
Somando todos os ministérios, o governo tem R$ 330,9 bilhões em despesas não obrigatórias para pagar neste ano, incluindo o Orçamento de 2026, de R$ 226,3 bilhões, e os restos a pagar, de cerca de R$ 104 bilhões. O espaço disponível, porém, é menor, de R$ 225,4 bilhões, já considerando o decreto de programação orçamentária e financeira do terceiro bimestre, publicado no último dia 30. A conta não fecha, e a restrição de R$ 105,5 bilhões afeta também o pagamento de R$ 44,9 bilhões em emendas parlamentares.
Na prática, uma série de ações pode não ser executada neste ano e ser transferida para 2027. O Ministério da Saúde, que tem a maior quantidade de restos a pagar, de R$ 15,1 bilhões, pode ficar sem recursos para cirurgias, procedimentos de média e alta complexidade e distribuição de medicamentos. O Ministério da Educação, com restrição de R$ 13,8 bilhões, pode deixar de comprar livros didáticos e de bancar obras de escolas de educação infantil e o funcionamento de universidades e institutos federais. Proporcionalmente, o Ministério do Esporte é o mais atingido, com restrição de R$ 774,9 milhões, equivalente a 57,9% das suas despesas.
O Ministério do Planejamento e Orçamento afirma que a restrição não é definitiva e pode ser revista para atender necessidades específicas. O decreto prevê que os ministros do Planejamento e da Fazenda podem ajustar os cronogramas de desembolso por ato próprio, conforme a evolução da execução orçamentária. O impacto real, porém, pode chegar ao primeiro Orçamento executado por quem vencer as eleições presidenciais de outubro, já que parte das despesas deste ano tende a ser transferida para o próximo governo.
O seu apoio mantém o jornalismo vivo. O jornalismo tem um papel fundamental em nossa sociedade. O papel de informar, de esclarecer, de contar a verdade e trazer luz para o que, muitas vezes, está no escuro. Compromisso com a Verdade, esse é o trabalho de um jornalista e a missão do Redação Nacional. Precisamos de você e do seu apoio, pois juntos nós podemos, através de matérias iguais a essa que você acabou de ler, buscar as transformações que tanto queremos.
Linha do tempo do orçamento
30 de julho
publicado o decreto do terceiro bimestre
limites de pagamento já consideram o bloqueio orçamentário
semana passada
equipe econômica libera R$ 5,7 bilhões
mas bloqueio de R$ 17,9 bilhões segue em vigor
10 de agosto
consulta do Senado aponta restrição
R$ 105,5 bilhões sem espaço no orçamento
2027
despesas podem ser transferidas
primeiro orçamento será executado por quem vencer as eleições
Perguntas frequentes sobre a restrição de gastos
Quanto o governo deixou de ter para pagar?
R$ 105,5 bilhões em despesas não obrigatórias deste ano, o equivalente a 31,9% do total, segundo a Consultoria de Orçamentos do Senado.
Por que isso aconteceu?
A conta soma gastos programados para 2026, restos a pagar de anos anteriores e o bloqueio orçamentário de R$ 17,9 bilhões em vigor para cumprir o arcabouço fiscal.
Quais áreas são mais afetadas?
Saúde e Educação em valores absolutos. Em termos proporcionais, Esporte, com 57,9% das despesas restritas, e Turismo, com 55,1%. As emendas parlamentares também são atingidas, em R$ 44,9 bilhões.
O que pode deixar de funcionar?
Cirurgias e procedimentos do sistema público de saúde, compra de livros didáticos, obras de escolas de educação infantil e manutenção de universidades e institutos federais.
A restrição é definitiva?
O Ministério do Planejamento diz que não. O decreto permite ajustar cronogramas de desembolso por ato dos ministros do Planejamento e da Fazenda, conforme a evolução da execução orçamentária.







