STF manda 7 tribunais devolverem penduricalhos em decisão inédita contra supersalários

O Supremo Tribunal Federal determinou nesta quarta-feira (12) que sete tribunais de Justiça suspendam imediatamente o pagamento de penduricalhos e exijam a devolução dos valores pagos fora das regras fixadas pela Corte em março. A decisão, assinada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, atinge os tribunais de Justiça de Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e do Distrito Federal. É a primeira vez que uma decisão do STF sobre o tema determina a devolução dos valores.

A decisão veio depois de reportagem mostrar pagamentos de até 495 mil reais em um único mês, bem acima do teto constitucional do funcionalismo, que hoje é de cerca de 46 mil reais. Em março, o Supremo limitou as verbas indenizatórias de magistrados, procuradores e promotores a 70% do subsídio, sendo 35% para o tempo de antiguidade e outros 35% para as demais verbas autorizadas. Em julho, os ministros deram prazo de 48 horas para os presidentes desses tribunais explicarem os pagamentos, e os relatórios enviados pelas próprias cortes revelaram as irregularidades.

Os números impressionam: um único desembargador aposentado do Maranhão recebeu mais de 3,2 milhões de reais em abril; uma magistrada do Distrito Federal recebeu cerca de 490 mil reais em maio; no Rio de Janeiro, 589 magistrados receberam mais de 100 mil reais no mesmo período; e em Rondônia, cerca de 90% de todos os magistrados tiveram rendimentos acima de 100 mil reais em abril. Na lista de verbas irregulares citadas pelos ministros estão auxílio assistência pré-escolar, licença compensatória, auxílio mudança, auxílio adoção e gratificações de mesa diretora, entre outras.

Agora, os presidentes dos tribunais têm 72 horas para identificar, de forma sigilosa, os magistrados beneficiados e determinar a devolução de tudo o que ultrapassar os limites da Corte. Também terão cinco dias para comprovar a suspensão dos pagamentos e a devolução dos valores. A Advocacia-Geral da União foi obrigada a enviar as folhas de pagamento da instituição e a Corregedoria Nacional de Justiça vai fiscalizar o cumprimento da decisão e apurar a responsabilidade dos presidentes das cortes. Segundo estimativas dos ministros, as novas regras devem gerar uma economia de cerca de 7,3 bilhões de reais por ano aos cofres públicos.

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Linha do tempo da decisão

25 de março
STF limita penduricalhos
Corte fixa teto: verbas indenizatórias limitadas a 70% do subsídio, com 35% para antiguidade e 35% para demais verbas

Julho
Prazo de 48 horas aos tribunais
Presidentes dos 7 TJs precisam explicar pagamentos após reportagem revelar rendimentos de até R$ 495 mil

12 de agosto
Suspensão e devolução
Moraes, Dino, Zanin e Gilmar mandam parar pagamentos fora das regras e exigir a devolução dos valores

Próximos 5 dias
Comprovação e fiscalização
Tribunais enviam documentos ao STF; AGU entrega folhas de pagamento; Corregedoria do CNJ apura responsabilidades

Perguntas frequentes sobre os penduricalhos

O que são penduricalhos?

São verbas indenizatórias e gratificações pagas a magistrados e integrantes do Ministério Público além do teto constitucional do funcionalismo, hoje fixado em cerca de 46 mil reais.

Quais tribunais foram atingidos?

Os tribunais de Justiça de Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e do Distrito Federal.

Todos os magistrados vão devolver valores?

Não. A devolução vale apenas para quem recebeu verbas não autorizadas pelo STF ou valores que ultrapassaram o limite de 70% do subsídio definido pela Corte em março.

Por que a decisão é considerada inédita?

Porque é a primeira vez que uma decisão do STF sobre penduricalhos prevê a devolução dos valores pagos irregularmente, além da suspensão dos pagamentos.

O que muda para a população?

Além da economia estimada em 7,3 bilhões de reais por ano, a decisão reforça o controle e a transparência sobre o uso do dinheiro público no Judiciário.

Política - Redação Nacional