TSE se reúne para decidir sobre proibição de deepfakes nas eleições de 2026
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral se reúnem nesta quinta-feira (13) para discutir a proibição do uso de deepfakes na campanha eleitoral de 2026 e qual punição aplicar em caso de violação. A reunião, a portas fechadas, foi convocada pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, após a sessão de julgamentos, e tem como pano de fundo a ação do PT contra o vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial e exibido na convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto.
Deepfake é a técnica que permite criar ou alterar vídeos, áudios e fotos com ajuda de inteligência artificial, trocando o rosto de uma pessoa pelo de outra ou modificando aquilo que ela fala. As regras aprovadas pelo TSE em março já proíbem o conteúdo sintético usado para prejudicar ou favorecer candidatura, sob pena de cassação, e vedam a substituição de imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia, mesmo com autorização. O que os ministros avaliam agora é se a vedação deve ser total, ou se vale apenas nos casos em que a tecnologia for usada para enganar o eleitor.
No vídeo exibido em 25 de julho, um avatar do ex-presidente Bolsonaro afirma estar preso por uma decisão arbitrária e pede que os apoiadores recebam de braços abertos o filho, Flávio, com pedido explícito de voto. O PT e a Federação Brasil da Esperança pedem a retirada do conteúdo, multa de 30 mil reais por publicação e a proibição de novas divulgações. A defesa de Flávio sustenta que o vídeo foi rotulado como simulação e que não houve intenção de enganar ninguém, comparando o avatar a um boneco tecnológico. Já o PT rebate que o deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake.
O caso ganha contorno delicado porque o ex-presidente Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, condenado a 27 anos e três meses de prisão na trama golpista, e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por terceiros. Com a decisão, o TSE pretende criar um entendimento único para orientar os tribunais regionais eleitorais e evitar uma enxurrada de ações durante a campanha. Para o eleitor, a recomendação é desconfiar de vídeos e áudios muito impactantes, verificar o rótulo de inteligência artificial, obrigatório nas campanhas, e consultar fontes oficiais antes de compartilhar qualquer conteúdo.
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Linha do tempo do caso deepfake
Março de 2026
TSE aprova regras para IA
Resolução proíbe deepfake para prejudicar ou favorecer candidatura, sob pena de cassação; rótulo de IA vira obrigatório
25 de julho
Vídeo gera polêmica
Avatar de Bolsonaro feito por IA pede votos para Flávio na convenção do PL; PT aciona a Justiça Eleitoral
13 de agosto
Reunião dos ministros
Nunes Marques convoca encontro a portas fechadas para alinhar entendimento sobre proibição de deepfake
Próximos passos
Julgamento e precedente
Corte deve definir punições, julgar o caso do vídeo e orientar os tribunais regionais eleitorais em todo o Brasil
Perguntas frequentes sobre deepfake nas eleições
O que é deepfake?
É um conteúdo em vídeo, áudio ou imagem criado ou manipulado com inteligência artificial para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que nunca disse ou fez, como trocar o rosto de alguém em uma cena.
O que já é proibido pelo TSE?
As regras aprovadas em março proíbem o uso de conteúdo sintético para prejudicar ou favorecer candidatura, sob pena de cassação, e vedam a substituição de imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia, mesmo com autorização.
Por que o vídeo de Bolsonaro virou caso?
Porque o avatar pede voto para Flávio Bolsonaro, mesmo com o ex-presidente proibido de fazer manifestações político-eleitorais por decisão judicial, o que, na avaliação do PT, configura propaganda antecipada e uso irregular de IA.
O que os ministros estão discutindo?
Duas possibilidades: a proibição ampla dos deepfakes, sem nenhuma finalidade, ou a proibição apenas nos casos em que a tecnologia engana o eleitor ou prejudica um candidato. Eles também discutem o tamanho das punições.
Como o eleitor pode se proteger de deepfakes?
Desconfie de conteúdos muito impactantes, verifique se há o rótulo de inteligência artificial, que é obrigatório, observe movimentos e voz artificiais e consulte os perfis e sites oficiais antes de compartilhar.







