Para especialistas do mercado financeiro, a situação força o setor a passar por uma transformação estrutural, que inclui a revisão das operações, o fechamento de lojas e a definição de novas prioridades estratégicas para manter a competitividade.
Há uma crise sistêmica no varejo nacional?
Embora grandes varejistas tenham recorrido à recuperação judicial nos últimos anos, o mercado financeiro não vê sinais de uma crise sistêmica no setor.
“Falar em uma crise generalizada do varejo seria um erro”, afirma Olívia Flores de Brás, CEO da Magno Investimentos.
A especialista vê uma espécie de “seleção empresarial”, já que algumas companhias atravessam o atual cenário
econômico com estruturas financeiras e operacionais mais sólidas do que outras.
“O problema está concentrado principalmente nas companhias que combinaram endividamento elevado, margens de lucro mais estreitas, necessidade intensa de capital de giro e modelos operacionais custosos”, explica.
Na prática, varejistas são naturalmente mais dependentes de crédito. Além de financiar estoques, operações e planos de expansão, muitas empresas do setor dependem do poder de compra dos consumidores, do acesso ao crédito e ao parcelamento.
Os casos da Casas Bahia, da Marabraz e do Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) são exemplos dos impactos do crédito mais caro e da redução do consumo das famílias.
É o mesmo cenário que atingiu outros grandes nomes, como Ricardo Eletro, Americanas, Casa & Video, Le Biscuit, MMartan, Artex, Saraiva e Livraria Cultura. São empresas que também passaram por processos de recuperação judicial, falência ou outras formas de reestruturação financeira.








