BAHIA: O Estado Como Cúmplice, Escândalo em Presídio da Bahia Revela Relação Íntima entre Diretora e Chefe de Facção

Segurança Pública, na Bahia: Investigação do Ministério Público expõe uma teia de corrupção, privilégios e uma suposta relação amorosa que culminou na fuga em massa de 16 detentos. O caso da ex-diretora do presídio de

Eunápolis, Joneuma Neres, não é apenas um desvio de conduta individual, mas um sintoma alarmante da fragilidade institucional e da capacidade do crime organizado de infiltrar e comandar o próprio sistema que deveria combatê-lo, colocando em xeque a segurança pública.

 

Publicado por Redação Nacional

As acusações que pesam sobre Joneuma Silva Neres, de 33 anos, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, desenham um dos mais graves e simbólicos escândalos do sistema prisional brasileiro. O processo do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que veio a público nesta quinta-feira (3), não aponta apenas para a corrupção de uma agente pública, mas para a completa inversão de papéis, onde o Estado, na figura de sua representante máxima na unidade, teria se tornado um braço operacional de uma facção criminosa.

Durante os nove meses em que esteve no comando, Joneuma é acusada de transformar o presídio em um ambiente de privilégios para detentos selecionados, sobretudo para Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, apontado como líder de uma organização criminosa com conexões no Rio de Janeiro. A entrada facilitada de freezers, ventiladores e a liberação de visitas sem revista, incluindo para a esposa de Dadá, eram apenas a face mais visível de uma relação que, segundo a investigação, ultrapassou os limites da lei para se aprofundar em uma esfera íntima e perigosa.

A crítica central que emerge do caso é a falha sistêmica que permitiu tal nível de autonomia e poder a uma única gestora. Funcionários relataram encontros frequentes e prolongados entre Joneuma e Dadá, realizados a portas fechadas em uma sala de videoconferência, com a visão obstruída por papel. Depoimentos vão além e afirmam a existência de um relacionamento amoroso, com encontros sexuais dentro da própria unidade. Essa promiscuidade entre o poder estatal e o crime organizado revela uma vulnerabilidade que corrói a credibilidade e a função ressocializadora do sistema carcerário.

O ápice desta suposta aliança foi a fuga em massa de 16 detentos em dezembro de 2024, um evento que, segundo o MP-BA, foi deliberadamente facilitado por Joneuma e seu coordenador de segurança, Wellington Oliveira Sousa. Em troca de sua lealdade à facção, a ex-diretora teria recebido R$ 1,5 milhão. A consequência direta dessa traição à confiança pública é um enorme risco para a sociedade: dos 16 foragidos, 15 continuam soltos, incluindo o próprio Dadá.

Enquanto a defesa nega veementemente as acusações e a irmã de Joneuma, que também é sua advogada, alega que ela “está pagando por um crime que não cometeu”, o caso ganha contornos ainda mais dramáticos. Presa em janeiro, Joneuma deu à luz a um bebê prematuro e hoje o cria dentro de uma cela no Conjunto Penal de Itabuna. A imagem é uma trágica metáfora do colapso do sistema: a autoridade que deveria zelar pela ordem agora se encontra do outro lado das grades, com uma criança, vítima inocente de uma crise que expõe a podridão institucional.

A nota da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), afirmando que “não compactua com privilégios” e que colaborou com as investigações, soa reativa e insuficiente. O caso de Eunápolis não é um ponto fora da curva, mas um alerta ensurdecedor de que, em muitos territórios, a linha que separa o Estado do crime está perigosamente borrada.

A questão que fica para a sociedade baiana é assustadora: quem realmente está no controle, da  Segurança Pública…?

Com a palavra, governador Jerônimo Rodrigues e o Secretário Estadual de Segurança Pública…

“O seu apoio mantém o jornalismo vivo. O jornalismo tem um papel fundamental em nossa sociedade. O papel de informar, de esclarecer, de contar a verdade e trazer luz para o que, muitas vezes, está no escuro.

Compromisso com a Verdade, esse é o trabalho de um jornalista e a missão do Redação Nacional.

Precisamos de você e do seu apoio, pois juntos nós podemos, através de matérias iguais a essa que você acabou de ler, buscar as transformações que tanto queremos.”

Deixe o primeiro comentário