Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões; entenda o que muda
O Grupo Casas Bahia protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação judicial após encerrar o segundo trimestre de 2026 com um prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. O processo, aprovado pelo conselho de administração no domingo, dia 16 de agosto, envolve cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e abrange a companhia e nove empresas do grupo, incluindo a Cnova, a ASAP Log e a Indústria de Móveis Bartira.
A varejista atribui a crise a uma combinação de fatores: juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. O impacto na operação já apareceu nos números: o grupo fechou 298 lojas e reduziu o quadro de funcionários, com cerca de 3 mil demissões apenas em agosto. O prejuízo ajustado, desconsiderando efeitos não recorrentes, foi de R$ 978 milhões, alta de 76% na comparação anual.
Reação do mercado e comparação histórica
O mercado reagiu mal ao anúncio. As ações da companhia despencaram cerca de 30% na segunda-feira, chegando a R$ 0,47, um contraste forte com os cerca de R$ 400 que o papel valia em 2020. Para efeito de comparação, o resultado negativo do segundo trimestre foi 18 vezes maior que o registrado no mesmo período do ano anterior, de R$ 555 milhões. Do total do prejuízo, aproximadamente R$ 9,1 bilhões vieram de eventos não recorrentes, como baixa de ativos, despesas de reestruturação e efeitos de imposto de renda diferido.
O que acontece agora com a empresa e os clientes
Com a recuperação judicial, as cobranças de dívidas ficam suspensas por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado por mais 180. Durante o processo, a empresa promete manter as operações e o atendimento aos clientes sem interrupções relevantes. O pedido ainda precisa ser analisado pela Justiça, e uma assembleia de acionistas deve ser convocada para ratificar a medida. A Casas Bahia já havia feito uma recuperação extrajudicial em 2024, quando acumulava cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Perguntas frequentes
Por que a Casas Bahia pediu recuperação judicial?
A empresa registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e acumula cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre o consumo estão entre as causas citadas.
As lojas da Casas Bahia vão fechar?
O grupo já fechou 298 lojas como parte do plano de reestruturação, mas afirma que pretende manter as operações nos canais existentes e o atendimento aos clientes sem interrupções relevantes.
O que muda para quem comprou na Casas Bahia?
A empresa afirma que as operações continuam normalmente, incluindo vendas, entregas e serviços. Em recuperações judiciais, as obrigações com consumidores continuam sendo cumpridas durante o processo.
Quanto tempo dura a recuperação judicial?
As cobranças ficam suspensas por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado por mais 180. O processo completo depende da aprovação do plano pela Justiça e pelos credores.
Quantas empresas do grupo estão na recuperação?
São dez no total: a Casas Bahia e nove subsidiárias, como Cnova Comércio Eletrônico, ASAP Log, CNT Soluções, Cntlog Express e Indústria de Móveis Bartira.
“O seu apoio mantém o jornalismo vivo. O jornalismo tem um papel fundamental em nossa sociedade. O papel de informar, de esclarecer, de contar a verdade e trazer luz para o que, muitas vezes, está no escuro. Compromisso com a Verdade, esse é o trabalho de um jornalista e a missão do Redação Nacional. Precisamos de você e do seu apoio, pois juntos nós podemos, através de matérias iguais a essa que você acabou de ler, buscar as transformações que tanto queremos.”







