Editorial: Simões Filho e o Desafio da Transparência na Reestruturação Administrativa

Simões Filho, e o Desafio da Transparência na Reestruturação Administrativa. Na última terça-feira, 15 de abril, a Câmara de Vereadores de Simões Filho, município da Região Metropolitana de Salvador e detentor da sétima maior economia da Bahia, protagonizou um episódio revelador sobre a política contemporânea e os caminhos tortuosos da administração pública. A aprovação do Projeto de Lei 004/2025, que altera profundamente a estrutura organizacional da Prefeitura Municipal, lançou luz — e sombra — sobre a maneira como se conduzem os processos legislativos no município.

Com a promessa de modernização, eficiência administrativa e geração de empregos, a proposta ganhou apoio imediato da base governista. No entanto, o modo como foi conduzida a leitura e a discussão do projeto gerou críticas contundentes, especialmente da oposição, composta pelos vereadores Bombeiro Mota (PSD), Sérgio Glauber (PT) e Genivaldo Lima (União Brasil). Mais do que divergências políticas, o que se observou foi uma clara fratura na transparência que deveria nortear as decisões públicas.

Mesa Diretora – Biênio 2025/2027

A leitura parcial do projeto, realizada pelo vereador Jailson Soares Bispo (Jajai), primeiro secretário da Câmara, restringiu-se a trechos específicos que tratavam da extinção de cargos. O restante do conteúdo — que inclui a criação de novos postos, mudanças de nomenclaturas e reajustes nos níveis de DAS — foi deliberadamente omitido do público presente e dos cidadãos que acompanhavam pelas redes sociais. Tal escolha editorial, no mínimo questionável, compromete o princípio da publicidade, essencial à administração pública.

Não se trata apenas de um embate entre situação e oposição. A questão central aqui é o respeito ao processo democrático e ao direito da população de conhecer, debater e fiscalizar as decisões que impactam diretamente sua vida. O argumento de que o projeto cria empregos para o povo de Simões Filho, como defendido pelos vereadores da base — entre eles Orlando de Amadeu, Roberto Souza e o próprio Jajai —, pode até conter mérito, mas perde força quando confrontado com a opacidade do trâmite legislativo.

Do outro lado, as críticas da oposição foram contundentes e relevantes. Genivaldo Lima chegou a afirmar que a medida é, na verdade, uma preparação da máquina pública para atender interesses eleitorais visando 2026. Reforçou ainda as fragilidades de setores como o Centro de Bioimagem, a Educação, o Transporte Público e a SEINFRA, cuja atuação é alvo de insatisfação popular. São denúncias sérias, que merecem investigação e, acima de tudo, resposta oficial.

A publicação da Lei 1332/2025 no Diário Oficial do Executivo, no dia seguinte (16 de abril), formalizou as mudanças. Dezenas de cargos foram extintos e outros tantos criados, com designações que vão desde “Coordenador de Projetos Estratégicos” até “Assessor de Inovação e Governança”. Cada um com sua remuneração atrelada a níveis de DAS, muitos dos quais passíveis de questionamento, sobretudo em um contexto onde a máquina pública já sofre com limitações orçamentárias.

O que está em jogo não é apenas a reorganização da estrutura administrativa, mas a credibilidade das instituições democráticas. A forma como o projeto foi conduzido enfraquece a confiança da sociedade nas ações do poder público. A falta de diálogo, de debate aberto e de escuta qualificada transforma o que poderia ser uma conquista administrativa em uma mancha no histórico da atual legislatura.

Como sociedade, é fundamental que valorizemos não apenas o conteúdo das propostas, mas o caminho que elas percorrem até sua aprovação. O Legislativo existe para representar a população, fiscalizar o Executivo e garantir que os interesses coletivos estejam sempre acima das conveniências partidárias. Quando isso não acontece, perdemos todos: governantes, vereadores e, principalmente, o povo.

Este editorial, portanto, não pretende demonizar a iniciativa da Prefeitura em buscar eficiência. Pelo contrário: toda ação voltada à melhoria da máquina pública é bem-vinda, desde que venha acompanhada de transparência, participação social e responsabilidade fiscal. O que se espera agora é que os próximos passos da gestão municipal sejam pautados por esses valores e que o discurso de “mais empregos para o povo” se traduza, de fato, em oportunidades reais — e não em acomodações político-partidárias.

Que o episódio sirva de lição. A política municipal precisa reencontrar seu caminho com a ética, a verdade e, acima de tudo, com o povo.

O Parecer da Comissão de Justiça, aprovando o conteúdo do Projeto de Lei, com essa complexidade, deu-se em apenas, DEZ MINUTOS, os Vereadores da base do governo, e membros das comissões Finanças e Justiça,  ausentaram-se, e retornaram ao plenário com aprovação,  sem quaisquer alterações no documento encaminhado pelo Executivo, só não pode-se afirmar que foi AMÉM, devido os TRÊS votos contrários ao projeto, declarado por Mota, Glaube e Genivaldo Lima. Repensar, é preciso, Simões Filho…

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