El Niño aumenta risco de doenças no Brasil, alerta Opas; veja quais são
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vinculada à Organização das Nações Unidas, publicou nesta semana uma análise alertando que o fenômeno El Niño aumenta significativamente o risco de doenças no Brasil em 2026. O relatório, divulgado no dia 7 de julho, aponta que as variações climáticas extremas provocadas pelo El Niño — entre secas severas, chuvas intensas e temperaturas acima da média — podem desencadear mais casos de doenças infecciosas como dengue, chikungunya, malária e oropouche nas regiões afetadas. O documento classifica o Brasil como tendo risco médio de uma crise de saúde pública em função desses impactos.
Entre as principais ameaças identificadas pela Opas estão as arboviroses, que se tornam altamente prováveis com grandes consequências à saúde pública. O calor extremo é apontado como a maior causa de mortalidade relacionada ao clima, especialmente para grupos vulneráveis como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças preexistentes. Há também risco de aumento de internações por problemas respiratórios e cardiovasculares, provocados pela fumaça de incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, e pelo estresse térmico das ondas de calor.
O impacto do El Niño varia conforme a região do Brasil. No Norte e Nordeste, a seca prolongada pode agravar queimadas e aumentar doenças respiratórias, enquanto a falta de água compromete o saneamento e eleva o risco de doenças diarreicas. No Sul, as chuvas intensas aumentam o risco de enchentes e, com elas, a leptospirose e outras doenças de veiculação hídrica. O Sudeste e Centro-Oeste enfrentam ondas de calor mais frequentes, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A Opas recomenda que países como o Brasil fortaleçam seus sistemas de alerta precoce para ondas de calor, preparem os serviços de saúde para um aumento na demanda e intensifiquem as campanhas de vacinação contra a dengue, que está disponível no Sistema Único de Saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Especialistas reforçam a importância de medidas simples como hidratação frequente, eliminação de focos de água parada e atenção redobrada com grupos de risco durante os períodos mais quentes do dia.
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