Equador, que adotou ‘modelo Bukele’, registra 9,2 mil homicídios em 2025 e alta de 30%; entenda

No dia 9 de janeiro de 2024, o presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou conflito armado interno e ordenou que as Forças Armadas neutralizassem 22 grupos do crime organizado. A militarização da segurança, inspirada no modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, reduziu inicialmente a violência, especialmente dentro dos presídios. O avanço, porém, foi revertido: em 2025, o Equador registrou 9.216 homicídios, um aumento de 30,48% em relação a 2024.

Além da militarização, o governo construiu a megaprisão La Encuentro, ampliou o uso de estados de exceção e mobilizou forças de segurança para retomar o controle do território. Especialistas questionam os resultados: a prisão tem capacidade para 740 pessoas, enquanto o Cecot, de El Salvador, foi projetado para abrigar entre 20 mil e 30 mil. A pesquisadora Karen Sichel, da Universidade de Cambridge, lembra que as gangues salvadorenhas eram diferentes do crime transnacional ligado à cocaína que atua no Equador, com financiamento praticamente ilimitado.

Segundo a organização ACLED, o crime organizado se expandiu para mais de 150 dos 222 cantões equatorianos, com destaque para o tráfico de drogas, a mineração ilegal e a lavagem de dinheiro. Organizações de direitos humanos denunciam execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias por parte das forças de segurança. Na liberdade de imprensa, o Equador caiu 31 posições no Ranking Mundial da Repórteres sem Fronteiras em 2025 e passou a ocupar o 125º lugar.

A experiência equatoriana alimenta diretamente o debate brasileiro sobre segurança pública: militarização e megaprisões têm apelo popular, mas os números mostram que não bastam sem o fortalecimento da Justiça e das instituições. No Brasil, onde facções como PCC e Comando Vermelho dominam o tráfico, o modelo Bukele é frequentemente citado por políticos. O caso do Equador serve de alerta, e o Redação Nacional segue acompanhando o tema para o leitor de Salvador, da Bahia e de todo o Brasil.

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O que se sabe sobre o modelo Bukele no Equador

Homicídios 2025
9.216 registrados
alta de 30,48% em relação a 2024

Megaprisão
La Encuentro
740 vagas, contra 20 a 30 mil do Cecot

Conflito declarado
22 grupos criminosos
guerra interna desde janeiro de 2024

Expansão do crime
150 de 222 cantões
tráfico, mineração e lavagem de dinheiro

Perguntas frequentes sobre a segurança no Equador

O que é o modelo Bukele aplicado no Equador?

É o conjunto de medidas inspiradas no governo de Nayib Bukele, em El Salvador: militarização da segurança pública, construção de megaprisão, ampliação dos estados de exceção e mobilização das Forças Armadas para retomar o controle do território.

Os homicídios caíram ou aumentaram no Equador?

Em 2025, o Equador registrou 9.216 homicídios, um aumento de 30,48% em relação a 2024, em um dos períodos mais violentos da história do Equador.

Qual a diferença entre o crime do Equador e o de El Salvador?

Especialistas apontam que o crime equatoriano é transnacional, ligado à cocaína e com financiamento quase ilimitado, enquanto as gangues salvadorenhas tinham natureza diferente e menor poder financeiro.

O que o Brasil pode aprender com o caso do Equador?

A experiência mostra que militarização e megaprisões reduzem a violência apenas temporariamente e precisam ser acompanhadas do fortalecimento da Justiça e das instituições para apresentar resultados duradouros.

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