Lula espera que Jaques Wagner renuncie à liderança do governo no Senado, dizem aliados
A manhã desta sexta-feira, 19 de junho, amanheceu com uma expectativa nos corredores do Palácio do Planalto: a de que o senador Jaques Wagner deixe a liderança do governo no Senado. Um dia após a Polícia Federal apreender 49 mil dólares em um endereço ligado a ele em Brasília, aliados do presidente Lula afirmam que a permanência de Wagner no cargo se tornou insustentável. O senador ainda resiste, mas a pressão política cresce.
O telefonema do presidente Lula para Jaques Wagner na tarde de quinta-feira, 18 de junho, foi de solidariedade — mas também de sutil entendimento. Segundo aliados do Planalto, Lula não vai pedir diretamente que Wagner entregue o cargo, mas espera que ele próprio tome a iniciativa. A avaliação no núcleo duro do governo é que a situação se tornou insustentável depois que a Polícia Federal encontrou 49 mil dólares em espécie em um quarto de hotel em Brasília usado pelo senador. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, investiga conexões de Wagner com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Wagner, por enquanto, resiste. Em entrevista após a operação, o senador disse que continua na liderança do governo até segunda ordem e classificou a relação com Lula como sólida. Aliados do presidente, no entanto, consideram que o tom da entrevista foi acima do esperado. A leitura nos bastidores é que a permanência de Wagner como líder do governo prejudica a articulação política em um ano eleitoral, especialmente com a campanha de reeleição de Lula em andamento. O PT espera um gesto do senador ainda nesta sexta-feira.
As suspeitas da Polícia Federal são numerosas: Wagner teria recebido um apartamento avaliado em 2,5 milhões de reais em Salvador, além de repasses que somam 3,5 milhões de reais para uma empresa da nora. Em troca, segundo a investigação, o senador teria usado sua influência política para favorecer o Banco Master no Congresso, especialmente na tramitação da chamada Emenda Master, que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil para 1 milhão de reais. A emenda era de autoria do senador Ciro Nogueira, mas Wagner teria atuado nos bastidores para viabilizá-la.
A operação Compliance Zero, em sua nona fase, cumpre 18 mandados de busca e apreensão em três estados. Além de Jaques Wagner, são alvos o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e familiares do senador. O caso reacendeu o debate sobre a relação entre poder político e instituições financeiras no Brasil. Enquanto Wagner decide seu futuro, o governo tenta conter os danos políticos e evitar que o caso contamine a campanha presidencial. A expectativa é que o desfecho saia ainda hoje.
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