Maioria das escolas públicas de Salvador teve mais de 10 dias letivos afetados por tiroteios

Mais da metade das escolas públicas de Salvador, na Bahia, foram afetadas por tiroteios em pelo menos dez dias letivos de 2025. O dado faz parte de um estudo inédito do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quinta-feira (13), que analisou tiroteios ocorridos num raio de até um quilômetro das unidades de ensino. Das 600 escolas municipais e estaduais da capital baiana, apenas 12 não registraram nenhum dia afetado por eventos armados.

O levantamento mostra que 339 escolas tiveram mais de dez dias letivos afetados: 133 acumularam entre 10 e 20 dias, 180 tiveram entre 21 e 40 dias e 23 ultrapassaram 40 dias. Uma unidade registrou tiroteios em 55 dias, o que impactou 27,5% dos 200 dias letivos previstos na lei nacional. Ao todo, o instituto mapeou 3.748 tiroteios em Salvador entre 2023 e 2025, uma média de 3,4 ocorrências por dia, sendo que 59% aconteceram em dias letivos e 40% durante o dia, muitos em momentos de entrada, saída ou de aula dos estudantes.

A análise aponta ainda que a maior parte dos tiroteios em dias de aula deriva de intervenções policiais: 37,4% das ocorrências mapeadas. Em seguida aparecem homicídios e tentativas de homicídio, com 32%, roubos ou tentativas, com 11,1%, e disputas entre grupos armados, com 10,7%. O estudo reforça as dinâmicas da desigualdade: as escolas com maior incidência de tiroteio no entorno estão em regiões com população de menor renda e maior proporção de população não branca.

Para a diretora de dados e transparência do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, os números mostram um problema disseminado de violência armada em Salvador e a necessidade de um olhar especial para as escolas mais afetadas. Ela defende que o Estado garanta a segurança da população sem colocar a educação em risco, com protocolos e ações planejadas. A Bahia tem a segunda maior taxa de mortes violentas intencionais do Brasil, e as polícias do estado foram responsáveis por 1.570 mortes no ano passado, o maior número absoluto do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

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Linha do tempo do estudo

Entre 2023 e 2025
Mapa da violência armada
Instituto Fogo Cruzado registra 3.748 tiroteios em Salvador, média de 3,4 por dia

Ano letivo de 2025
Dias de aula perdidos
339 escolas com mais de 10 dias afetados; uma unidade chegou a 55 dias, 27,5% do ano letivo

13 de agosto
Estudo inédito é divulgado
Levantamento mostra que 37,4% dos tiroteios em dias de aula decorrem de ações policiais

Próximos passos
Protocolos para a educação
Especialistas pedem ações planejadas para garantir segurança sem colocar a educação em risco

Perguntas frequentes sobre o estudo

Quantas escolas de Salvador foram afetadas por tiroteios?

Das 600 escolas municipais e estaduais da capital, 339 tiveram mais de dez dias letivos afetados em 2025. Apenas 12 não registraram nenhum dia afetado por eventos armados.

Os tiroteios acontecem em horário de aula?

Sim. O estudo mostra que 59% dos tiroteios ocorreram em dias letivos e 40% durante o dia, muitos deles em momentos de entrada, saída ou durante as aulas dos estudantes.

Quem é responsável pela maioria dos tiroteios?

As ações policiais respondem por 37,4% das ocorrências em dias de aula, seguidas de homicídios ou tentativas, com 32%, roubos, com 11,1%, e disputas entre grupos armados, com 10,7%.

Quais escolas são as mais afetadas?

As escolas com maior incidência de tiroteio no entorno estão situadas em regiões com população de menor renda e maior proporção de população não branca, mostrando o impacto da desigualdade.

O que os especialistas defendem?

Que o Estado adote protocolos e ações planejadas para garantir a segurança da população sem colocar a educação em risco, com apoio especial às escolas mais afetadas pela violência armada.

RMS - Redação Nacional