Megaoperação no Rio de Janeiro: Amazonenses relatam momentos de tensão, “Sem Acreditar no Que Estou Vivendo…”

A megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, causou momentos de tensão para amazonenses que moram na capital carioca. Ao g1, eles relataram o medo após tiroteios na rua de casa e a incerteza de conseguir voltar para o lar em segurança. A ação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, resultou na morte de 121 pessoas, 113 presos; 10 menores apreendidos; 118 armas apreendidas (91 são fuzis); e 14 artefatos explosivos apreendidos. Segundo a Secretaria de Segurança, o objetivo era combater o tráfico e o roubo de cargas.

Publicado por Redação Nacional

Foto: G1

A jornalista Hêmilly Lira mora na capital carioca e estava com amigos italianos no bairro de Botafogo, no momento da operação. A amazonense relatou que recebeu uma ligação da mãe avisando sobre um tiroteio na rua onde vive com a família, no Grajaú.

Até então a gente achava que era algo local ali na nossa região do Grajaú. Em seguida, eu olho o grupo de jiu-jitsu da escolinha do meu filho e vejo as imagens e a nota oficial do governo, que era uma megaoperação. Vi fotos de bandidos na minha rua, coisa que nunca aconteceu na nossa vida em todo esse tempo que a gente mora no Rio de Janeiro“, contou.

A comunicadora conta que mesmo estando na Zona Sul carioca no momento da ação, viu muitos helicópteros e policiamento ostensivo. O desespero foi maior ao lembrar do filho, que estava próximo de uma das áreas de conflito.

A gente percebeu que realmente era muito sério porque Copacabana já estava sendo evacuada, todo mundo indo para casa. Nesse meio tempo todo, o que me deixou mais desesperada foi estar longe do meu filho. A minha família ilhada no Grajaú e eu tendo essa notícia de que estava havendo tiroteio na minha rua. Sem acreditar no que estava vivendo“, relatou Hêmilly.

A bióloga e esteticista amazonense Gislaine Oliveira contou que soube da operação nas primeiras horas da manhã, mas foi ao ir para o trabalho no início da tarde que ela percebeu que a movimentação estava fora do comum.

 

Helicópteros sempre tem, já não é algo incomum, mas percebi que as ruas estavam mais movimentadas que o normal e que havia muito trânsito e demora de transporte público. Fui ao trabalho, porém sem muito sucesso pois as pessoas que iriam ser atendidas também não estavam saindo de casa, e então alguns locais, lojas, shoppings da cidade inteira foram fechando. Não teve como seguir normalmente“, destacou Gislaine.

Gislaine explica que a insegurança e o trânsito causados pelo conflito a deixou na dúvida entre voltar pra casa ou ficar no trabalho até o dia seguinte.

 

Todo mundo fica meio assustado e tenta ficar o mais seguro possível, mas não tinha muito lugar seguro”.

Um dia após a megaoperação, ela diz perceber que a vida começa a retornar a normalidade. “Hoje segue tudo normal, os locais atingidos ou próximos realmente não funcionaram, mas de resto, todo mundo seguindo suas vidas” conclui.

Imagem de drone mostra corpos levados a praça no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 29 de outubro de 2025. — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

            Imagem de drone mostra corpos levados a praça no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 29 de outubro de 2025. —              Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Traficantes do Amazonas entre os presos

Segundo o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, do total de presos, 33 são traficantes de outros estados, dentre eles o Amazonas. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa no início da tarde desta quarta-feira (29).

Temos bandidos do Amazonas, temos bandidos do Ceará, temos bandidos de Pernambuco, e temos informações de inteligência que todos os bandidos que tem poder de decisão nos seus estados estão vindo para o Rio de Janeiro. Eles dão ordem de morte a partir da relativa tranquilidade que eles tem nesses locais“, afirmou. O número exato de presos por estado e a identidade deles não foi divulgado.

Megaoperação com cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. — Foto: Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo

Megaoperação com cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. — Foto: Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo

 

 

Fonte: G1.Globo

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