Operação prende dez advogados que atuavam como mensageiros de facções em presídio de segurança máxima

Dez advogados foram presos na Bahia sob a acusação de atuarem como mensageiros de facções criminosas dentro do Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha, a 180 quilômetros de Salvador. A Operação Sintonia de Gravata, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia em parceria com a Polícia Civil e a Secretaria de Administração Penitenciária, cumpriu 21 mandados de prisão na última sexta-feira (3). As investigações revelaram que os profissionais utilizavam o parlatório do presídio para transmitir ordens de chefes do tráfico que deveriam estar em isolamento, incluindo instruções sobre compra e venda de armamentos, contabilidade do tráfico de drogas e planejamento de homicídios.

Câmeras instaladas com autorização judicial no parlatório flagraram os advogados recebendo e transmitindo instruções detalhadas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. As imagens mostram os defensores escondendo bilhetes sob as roupas íntimas para burlar a fiscalização. Um dos advogados, Ícaro Cardoso Viana, foi gravado recebendo orientações para recolher duas pistolas com a tia de um criminoso. Em outros trechos, ele faz anotações enquanto um detento ditava os preços de drogas utilizando codinomes como “peixe” para cocaína, “óleo” para crack e “chá” para maconha. A advogada Fernanda Oliveira Borges foi filmada retirando papéis com informações financeiras da quadrilha de dentro de suas vestes.

O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do MP-BA, Luiz Ferreira de Freitas Neto, afirmou que os denunciados se utilizam de prerrogativas da advocacia para cometer crimes. “Nós estamos tratando de indivíduos que se utilizam de uma prerrogativa da advocacia para cometer crime. Denunciamos todos pelo pertencimento ao crime de organização criminosa”, declarou. A investigação teve origem a partir de um atentado contra o diretor de uma unidade prisional na região de Eunápolis, no sul da Bahia, quando foi identificado que um advogado fazia a comunicação entre lideranças criminosas presas e os criminosos que estavam em liberdade.

A Operação Sintonia de Gravata mobilizou mais de 100 profissionais e cumpriu mandados em seis cidades baianas, incluindo Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras. Além dos advogados, 12 detentos que já estavam custodiados também foram alvos de mandados de prisão. As investigações continuam em andamento para identificar outros profissionais que possam estar envolvidos no esquema, que revela a infiltração do crime organizado no sistema de justiça criminal brasileiro.

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