Tsunami meteorológico atinge litoral de SC e assusta pescadores em Laguna
Um raro fenômeno natural provocou cenas de preocupação no litoral de Santa Catarina na manhã desta segunda-feira. O que parecia ser apenas uma tempestade comum revelou-se um tsunami meteorológico, evento tão incomum que a maioria da população brasileira nunca ouviu falar. A onda avançou rapidamente sobre a orla de Laguna e Jaguaruna, arrastando embarcações e invadindo comércios à beira-mar.
A Defesa Civil catarinense confirmou a ocorrência do fenômeno na Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta. Segundo o órgão, rajadas intensas de vento de sul, entre 60 e 90 km/h, associadas a alterações bruscas na pressão atmosférica, provocaram uma elevação rápida e temporária do nível do mar por volta das 6h. Pescadores que estavam no local relataram que o mar recuou subitamente antes de avançar com força sobre a faixa de areia.
O que é um tsunami meteorológico e como ele ocorre
O tsunami meteorológico, também conhecido como meteotsunami, é uma onda gerada não por terremotos, como o tsunami tradicional, mas por alterações bruscas na pressão atmosférica sobre o oceano. Quando uma frente meteorológica severa atravessa a costa, a variação repentina de pressão cria uma série de ondas que podem atingir vários metros de altura ao抵达 a orla. Diferente do tsunami sísmico, que costuma ser precedido por abalos sentidos na terra, o meteotsunami chega de forma silenciosa. As ondas são menores no oceano aberto, mas podem se amplificar ao encontrar o relevo do fundo do mar costeiro, tornando-se perigosas para populações ribeirinhas.
Impactos no litoral catarinense e registro histórico
As imagens divulgadas nas redes sociais e por câmeras de segurança mostraram a água avançando com força pela areia, cercando barcos de pescadores e invadindo restaurantes em Laguna. A força da água chegou a quebrar uma porta de vidro de um dos estabelecimentos, e mobiliário foi arrastado pela correnteza. Em Jaguaruna, o mar também avançou e chegou a invadir uma rua. Apesar do susto e dos danos materiais, não houve registro de feridos. A Praia do Cardoso já havia sido atingida por um tsunami meteorológico em novembro de 2023, quando arrastou carros estacionados na areia, e em dezembro de 2024, quando o fenômeno destruiu pontes e muros em Jaguaruna.
O papel das mudanças climáticas na intensificação dos fenômenos extremos
Especialistas em oceanografia apontam que o aquecimento das águas oceânicas, consequence das mudanças climáticas, está intensificando a frequência e a severidade de sistemas meteorológicos extremos na costa brasileira. A Organização Meteorológica Mundial reconhece que os tsunamis meteorológicos são subestimados em termos de risco global. Países como Japão e Austrália já possuem sistemas de alerta específicos para esse tipo de ocorrência, enquanto o Brasil ainda depende basicamente dos marégrafos e das equipes da Defesa Civil para identificar e responder ao fenômeno. Os registros no litoral catarinense se concentram na primavera, estação que começa nesta terça-feira.
Perguntas frequentes
O tsunami meteorológico é perigoso?
Sim, apesar de geralmente menos destrutivo que o tsunami sísmico, o meteotsunami pode causar danos significativos em áreas costeiras, especialmente quando atinge cidades com infraestrutura à beira-mar. A onda pode arrastar embarcações, invadir comércios e provocar alagamentos, como visto em Laguna.
Por que o tsunami meteorológico é difícil de prever?
O fenômeno está associado a alterações bruscas na pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o mar, condições que podem mudar rapidamente. A Defesa Civil classifica o meteotsunami como raro e de difícil previsibilidade, pois depende da coincidência entre a velocidade da linha de instabilidade e das ondas que ela produz.
O Brasil tem sistema de alerta para tsunamis meteorológicos?
Não de forma específica. O Brasil conta com a rede de marégrafos da Epagri ao longo da costa e com as equipes da Defesa Civil, mas não possui um sistema dedicado de alerta para tsunamis meteorológicos como o que existe em países como Japão e Austrália.
Quantas vezes o fenômeno ocorreu em Santa Catarina?
A Epagri contabiliza ao menos quatro ocorrências em Santa Catarina entre 2014 e 2020, além dos episódios mais recentes em Laguna (2023 e 2026) e Jaguaruna (2024 e 2026). A Praia do Cardoso, em Laguna, é o local mais atingido pelo fenômeno no estado.
O seu apoio mantém o jornalismo vivo. O jornalismo tem um papel fundamental em nossa sociedade. O papel de informar, de esclarecer, de contar a verdade e trazer luz para o que, muitas vezes, está no escuro. Compromisso com a Verdade, esse é o trabalho de um jornalista e a missão do Redação Nacional. Precisamos de você e do seu apoio, pois juntos nós podemos, através de matérias iguais a essa que você acabou de ler, buscar as transformações que tanto queremos.








