Um ano do tarifaço de Trump: governo Lula vê EUA inflexíveis e negociação estagnada
Faz exatamente um ano, nesta quinta-feira (9), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciando uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. O documento, publicado em 9 de julho de 2025, marcou o início da maior crise comercial entre Brasil e Estados Unidos nas últimas décadas. Um ano depois, a relação entre os dois governos continua estagnada, e a percepção da diplomacia brasileira é que os americanos se tornaram ainda mais inflexíveis nas negociações.
Segundo diplomatas ouvidos pelo G1 e pela GloboNews, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) passou a se mostrar resistente a contrapropostas desde maio deste ano, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve em Washington. O governo americano apresenta questões que o Brasil considera “inegociáveis”, como o sistema de pagamentos Pix e as políticas de combate ao desmatamento na Amazônia. Enquanto isso, o prazo final para um acordo que evite novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros termina em 15 de julho, e o Itamaraty avalia que a decisão final caberá ao próprio Trump.
O componente político ganhou força nos últimos meses. A visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca em maio é apontada por integrantes do Itamaraty como um dos fatores que endureceram a posição americana. A imprensa internacional, incluindo o Financial Times, associou a ameaça de novas tarifas a um “esforço de lobby” do senador brasileiro. O governo Lula, no entanto, mantém a estratégia de não abandonar a mesa de negociações. O presidente já afirmou que o Pix não está em discussão e que o Brasil não aceitará imposições sobre sua política ambiental, enquanto o USTR não apresentou contrapropostas concretas.
Os impactos econômicos já começam a aparecer. Segundo estudo do IBEVAR e da FIA, as tarifas podem retirar entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões do consumo das famílias brasileiras em 2026. As exportações para os Estados Unidos caíram 6,6% em 2025. Por outro lado, o Brasil conseguiu diversificar seus parceiros comerciais: as vendas para a China cresceram 21,8% e para a Índia impressionantes 70%, o que mostra que a economia brasileira está encontrando novos caminhos mesmo em meio à crise com os americanos. Ainda assim, o governo corre contra o tempo para evitar que novas tarifas entrem em vigor a partir de 15 de julho.
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