Justiça de SP aceita denúncia e torna Deolane Bezerra e Marcola réus por lavagem de dinheiro do PCC
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital, o PCC. A decisão foi do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista. Também se tornaram réus Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção, além do irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Junior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema. Dois sobrinhos de Marcola também são investigados e estão foragidos.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, de Presidente Prudente, sob a liderança do promotor Lincoln Gakiya, referência internacional na investigação do PCC. Segundo a acusação, a influenciadora teria atuado como receptora de valores ilícitos originados do tráfico de drogas, que eram pulverizados por meio de uma transportadora de cargas usada como empresa de fachada pela facção criminosa em Presidente Venceslau, interior de São Paulo.
As investigações começaram em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha ordens internas do PCC e referências a uma mulher da transportadora, que seria Deolane. Relatórios técnicos indicam que a influenciadora movimentou cerca de R$ 27 milhões de forma incompatível com sua capacidade econômica declarada, segundo a Polícia Civil de São Paulo.
Deolane Bezerra está presa desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, também no interior paulista. A Justiça negou pedidos de prisão domiciliar e de transferência para sala de estado maior. Com a decisão que a tornou ré, ela e os demais acusados têm dez dias para apresentar defesa oficial. A defesa da influenciadora afirma que os fatos serão devidamente esclarecidos e que ela é inocente.
O caso teve grande repercussão em todo o país por envolver uma figura pública de grande exposição nacional ligada à cúpula de uma das maiores organizações criminosas do Brasil. A Justiça também decretou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens dos investigados e a apreensão de 39 veículos. A Operação Vérnix segue em andamento e novas fases não estão descartadas pelas autoridades em São Paulo.
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