Editorial: O Brasil precisa de responsabilidade fiscal e pacto político urgente

O Brasil vive um momento decisivo. Enquanto a economia apresenta sinais de crescimento, com o PIB acima das expectativas e o desemprego em queda, o gargalo fiscal se torna cada vez mais preocupante. A dívida pública cresce e o espaço para investimentos diminui. É preciso um pacto político urgente entre governo, Congresso e sociedade para evitar o colapso das contas públicas e garantir o futuro do desenvolvimento nacional.

O país chega a meados de 2025 com um cenário econômico paradoxal. De um lado, o PIB cresce acima das projeções, a inflação está sob controle e o desemprego atinge os menores patamares dos últimos anos. De outro, o déficit primário projetado para o ano é de 83 bilhões de reais, e a dívida pública segue trajetória ascendente. O desequilíbrio fiscal é a sombra que ameaça comprometer os avanços conquistados com tanto esforço.

O Congresso Nacional impôs derrotas políticas importantes ao governo nas últimas semanas, especialmente em relação ao aumento da carga tributária. Há uma resistência sólida e justificável a qualquer nova pressão sobre os contribuintes. Mas a equação fiscal não se resolve apenas com corte de gastos ou aumento de impostos. É preciso um debate profundo sobre a eficiência do gasto público e a qualidade dos serviços entregues à população.

A superação da crise fiscal deveria perseguir quatro objetivos claros: evitar a paralisia do governo a curto prazo, estancar o crescimento da dívida pública, recuperar a capacidade de investimento do Estado e complementar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Essas medidas exigem diagnóstico correto, liderança e, acima de tudo, um pacto político que transcenda os interesses partidários e eleitorais.

O Brasil tem pressa. Como disse Guimarães Rosa, sapo não salta por boniteza, mas por precisão. A realidade, cedo ou tarde, vai se impor. Não há ajuste fiscal indolor, mas a inação tem um custo muito maior. É hora de deixar de lado o fisiologismo e construir um acordo nacional que coloque o Brasil em um caminho sustentável de crescimento com responsabilidade fiscal e social.

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