Trump declara fim do cessar-fogo com Irã e retoma ataques no Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) o fim do acordo de cessar-fogo com o Irã, durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia. A afirmação foi feita horas depois de uma nova madrugada de intensos confrontos militares entre as forças americanas e a República Islâmica no Oriente Médio. Trump afirmou que o diálogo com o governo iraniano é “uma perda de tempo” e classificou os líderes de Teerã como “pessoas doentes e mentirosas”. A declaração representa o colapso do memorando de entendimento assinado há menos de um mês, em junho, após meses de mediação do Paquistão.

Os ataques recomeçaram depois que o Irã lançou mísseis contra petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% de todo o petróleo do mundo. Em resposta, os Estados Unidos bombardearam alvos iranianos e restabeleceram sanções que haviam sido suspensas durante o acordo. O Irã, por sua vez, atacou bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait. A Agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento informou que 6 mil marinheiros estão retidos no Golfo Pérsico sem conseguir deixar a região.

O impacto econômico foi imediato. O preço do petróleo disparou mais de 6% nas primeiras horas após a declaração de Trump, ultrapassando a barreira dos US$ 80 por barril. Para o Brasil, a crise tem efeitos diretos: o aumento do petróleo no mercado internacional pressiona os preços dos combustíveis nas refinarias e chega ao bolso do consumidor nos postos de gasolina. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz encarece o frete marítimo e afeta o custo de produtos importados, gerando pressão inflacionária em toda a economia.

A guerra entre Estados Unidos e Irã começou em fevereiro deste ano, com ataques coordenados de Israel e dos americanos contra instalações nucleares iranianas. Desde então, o conflito já causou mais de 7 mil mortes e provocou a maior crise de abastecimento de petróleo desde os anos 1970. O cessar-fogo assinado em junho durou apenas três semanas. Agora, o mundo acompanha com apreensão os próximos passos de Trump, que já ameaçou ordenar novos ataques e restabelecer o bloqueio total aos portos iranianos.

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