Editorial: a desistência do Carter Center não abala a credibilidade da urna brasileira; confiança se constrói com transparência
A notícia de que o Carter Center, uma das organizações mais respeitadas do mundo em observação eleitoral, não enviará missão para acompanhar as eleições de outubro gerou reações exageradas nas redes sociais. O motivo, porém, é simples e nada tem a ver com o sistema de votação brasileiro: falta de recursos, após cortes do governo dos Estados Unidos em programas internacionais de cooperação. Fundada em 1982 pelo ex-presidente Jimmy Carter, a entidade esteve no Brasil em 2022, com quatro especialistas, e concluiu que as urnas eletrônicas são seguras.
A desistência do Carter Center é sintoma de um problema maior, que afeta a democracia em várias partes do mundo: o desmonte do financiamento público a organismos que sustentam a transparência eleitoral. A organização perdeu cerca de 10% do orçamento após os cortes e estima prejuízo de aproximadamente 11 milhões de dólares. Parte dos doadores europeus migrou para a missão própria da União Europeia, que confirmou presença no Brasil. O enfraquecimento dessas entidades não enfraquece a democracia brasileira, mas revela como decisões de política externa podem ter efeitos colaterais profundos.
A credibilidade da eleição brasileira não depende de selo estrangeiro. A urna eletrônica é auditável, os boletins de urna são públicos e qualquer cidadão pode acompanhar cada etapa, da votação à apuração. O que sustenta a confiança do eleitor é a transparência do processo, e não a presença de observadores internacionais. Mesmo sem a entidade americana, o pleito contará com missões da Organização dos Estados Americanos, da União Europeia, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e da Uniore, além dos convites feitos à União Africana, à Liga Árabe e ao Parlamento do Mercosul.
O episódio serve de alerta para o que realmente importa neste momento: combater a desinformação sobre o processo eleitoral e garantir que o eleitor decida com base em fatos, e não em boatos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, tem defendido a ampliação da observação internacional como reforço à transparência, posição correta, desde que o Brasil nunca dependa da avaliação externa para legitimar sua própria democracia. Ao eleitor, resta a certeza de que o voto na urna eletrônica é seguro, auditável e inviolável, e que a decisão de outubro será respeitada pelo Brasil.
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Pontos centrais do editorial
1982
ano de fundação do Carter Center
criado por Jimmy Carter e Rosalynn
10% do orçamento
perdidos após cortes em programas internacionais
prejuízo estimado em 11 milhões de dólares
4 especialistas
integraram a missão de 2022 no Brasil
relatório atestou confiança nas urnas eletrônicas
4 missões confirmadas
OEA, União Europeia, CPLP e Uniore
pleito seguirá com observação internacional
Perguntas frequentes sobre o caso
Por que o Carter Center desistiu de observar as eleições brasileiras?
Por falta de recursos. A organização perdeu cerca de 10% do orçamento após cortes do governo dos Estados Unidos em programas internacionais de cooperação.
O sistema eleitoral brasileiro perde credibilidade sem o Carter Center?
Não. A urna eletrônica é auditável e os boletins de urna são públicos. A credibilidade do processo não depende de chancela estrangeira, mas da transparência de cada etapa da votação.
Quais organizações confirmaram missão no Brasil?
OEA, União Europeia, CPLP e Uniore. Também foram convidadas a União Africana, a Liga Árabe e o Parlamento do Mercosul, ainda sem confirmação.
O que o Carter Center concluiu sobre as eleições de 2022?
Que o processo é seguro e que as urnas eletrônicas têm elevado grau de confiança, além de recomendar ações de combate à desinformação e ampliação do acesso aos locais de votação.







