Narrativas e factos: o jornalismo na era da condenação antecipada
Na manhã desta terça-feira, 23 de junho, uma operação da PF ganhou as manchetes de todo o Brasil. O alvo era o Banco Digimais, instituição do bispo Edir Macedo. Em questão de minutos, os portais estampavam palavras como fraude, esquema e manipulação. Mas há um detalhe que muitas vezes se perde na correria da informação: investigação ainda não é condenação.
Nesta mesma semana, o banco já havia se manifestado publicamente, negando as acusações e se colocando à disposição das autoridades. A nota oficial do Digimais, divulgada em maio, chamava as denúncias de alegações inverídicas e distorcidas, afirmando tratar-se de narrativas plantadas. Até agora, nenhuma condenação formal foi proferida.
O que se vê, cada vez mais, é um jornalismo que corre para publicar antes de apurar. Que transforma suspeitas em manchetes definitivas. Que constrói narrativas onde deveria haver apenas factos. O direito ao contraditório, garantido pela Constituição, muitas vezes é ignorado na busca pelo clique.
A sociedade precisa de informação de qualidade. Mas informação de qualidade não é a que chega primeiro, e sim a que chega completa. Não é a que grita mais alto, mas a que ouve todos os lados. Em tempos de redes sociais e inteligência artificial, o jornalismo verdadeiro é mais necessário do que nunca. E ele começa com uma simples pergunta: será que já ouvimos o outro lado?
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