A MPB, a Bahia e o Brasil se despedem de Nana Caymmi

Publicado por Redação Nacional

Morreu nesta quinta-feira, na Clínica São José, no Rio de Janeiro, a cantora Nana Caymmi, uma das vozes mais marcantes da Música Popular Brasileira. Internada para tratamento de uma arritmia, a artista não resistiu às complicações e faleceu, deixando um legado inestimável para a cultura nacional.

CARREIRA Cantora começou a cantar profissionalmente em 1966 e sua voz está registrada em cerca de 50 discos – Foto: Fábio Motta – Estadão Conteúdo

Filha do lendário compositor Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, Nana cresceu cercada de música e talento. “Sou uma senhora neurótica. Venho de uma família de dois compositores e dois intérpretes que muito me orgulham, onde a música é mais nossa vida que ganha-pão”, declarou certa vez, com a sinceridade que sempre marcou sua personalidade forte e sua arte.

A estreia de Nana Caymmi nos palcos ocorreu em 1960, no renomado Festival da Canção da TV Rio, ao lado do então marido, Gilberto Gil. Ainda jovem, revelou uma potência vocal que logo a destacaria entre os grandes nomes da nova geração da MPB. Ao longo das décadas seguintes, consolidou sua carreira com interpretações carregadas de emoção, dramaticidade e técnica refinada.

Entre os muitos álbuns lançados, destacam-se “Nana” (1967), “Flor da Noite” (1972), “Voz e Suor” (1983), além do celebrado “Resposta ao Tempo” (1998), uma de suas obras-primas, que lhe rendeu aclamação de público e crítica. Sua discografia é uma travessia da alma brasileira: da saudade ao amor, da dor ao encanto.

Nana também participou de projetos antológicos, como o disco “Caymmi em Família”, ao lado dos irmãos Dori e Danilo Caymmi, reafirmando o talento que corre no sangue da família. Com voz firme e presença intensa, ela nunca buscou o estrelato fácil. Preferiu a profundidade da canção à superfície do espetáculo.

Curiosidades não faltam: Nana recusou por anos fazer parte da Tropicália, preferindo seguir sua própria trilha; foi alvo de controvérsias por sua postura crítica e independente; e, ainda assim, tornou-se uma unanimidade afetiva para quem valoriza a verdadeira música brasileira.

Hoje, as tardes em Itapoan perdem um pouco do seu brilho, carisma e talento, após o silêncio que se impõe com a partida de Nana. A Bahia e o Brasil sentem a ausência dessa mulher que fez da canção um espelho da alma.

Adeus, Nana Caymmi. Sua voz permanecerá entre nós, ecoando entre saudades, mares e memórias.

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